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Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Um dia comum é sempre especial contigo

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Não fazíamos grandes celebrações e alaridos por datas que deveríamos celebrar.

Havia aqueles dias em que parecia que era obrigatório festejarmos, trocarmos prendas e provarmos o nosso amor um pelo outro. Como se não o fazendo estivéssemos a incumprir alguma espécie de regra que enfranquecia os nossos sentimentos.

Os outros achavam que fazíamos mal. Que as datas especiais eram feitas para serem assinaladas de modo único. Era um dia em que tínhamos de nos esmerar e dar tudo por tudo para que fosse inesquecível.

Mas nós não.

Apesar do espanto e desagrado que causávamos com a nossa atitude não sentíamos essa urgência de transformar um aniversário, um feriado, umas férias em algo espantoso e capaz de causar inveja. Até o podíamos ter feito. Os nossos amigos aconselhavam-no, insistiam, até.

Claro que eles tinham essa necessidade porque no resto dos dias, o dia seguinte até, já tinham o direito de serem banais. Ao ponto de as memórias daquele sentimento avassalador que levara a um grande gesto não fossem mais do que isso. Memórias.

Nós fazíamos precisamente o oposto. Todos os dias tentávamos demonstrar o que sentíamos. Não se iludem. Não falo de gestos de fazer parar uma rua, nem sequer uma sala, ou de joias e viagens. O que era tudo isso, no fim de contas? Não. Refiro-me a pequenos gestos que ninguém poderia identificar, de palavras que não tinham nada de relevante a ouvidos alheios mas que nos deixavam com um sorriso pateta o resto do dia.

O dar as mãos num passeio. Preparar-te o pequeno-almoço num dia de trabalho. Sentarmo-nos no sofá à noite a falarmos sobre o nosso dia. Prenderes-me uma madeixa de cabelo atrás da orelha. Dares-me um beijo de boa noite. Dar-te um beijo de bom dia. Limpares-me as lágrimas quando as coisas não corriam bem. Abraçar-te quando as forças te fugiam. Confessar-te os meus medos. Aceitares os meus defeitos. Amares-me. Amar-te. Apenas isso. Nada mais. Amarmo-nos todos e a cada dia. Nos dias comuns que se tornam especiais.

Sim, hoje é dia de São Valentim. Mas não há muito a fazer ou dizer.

Amo-te. Amas-me. Isso é especial.

 

Inês Bonfim Madeira

 

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