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Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Sem ti nunca encontro o caminho

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Sempre me orgulhei da minha independência. Não era uma daquelas pessoas que era suficientemente orgulhosa, e inconsciente, para julgar que não precisava de ninguém. Longe disso. Mas quando tinha oportunidade para desfrutar do meu espaço, da minha liberdade, das minhas próprias decisões, abraçava-a sem hesitações.

Às vezes precisava de me afastar um pouco e estar sozinha. Sentia que isso me fazia serenar e assentar na realidade. O que deixou de acontecer desde que te conheci. Para já, a realidade que eu pensava conhecer minimamente baralhou-se num novelo impossível de desenredar. 

Aquele abalo que as vidas sofrem aqui e ali? Tu devastaste a minha no mais doce e sincero dos sentidos. E o melhor foi que, mesmo passado todo este tempo, surpreeendias-me com réplicas que impediam que a emoção inicial fosse esquecida.

Com tudo o que me oferecias tinha de ser doida para desejar estar sem ti. Bem sei tudo o que se diz sobre a necessidade de espaço nas relações mas nós nunca nos pressionámos e por isso nunca tivemos de nos afastar.

E quando a ocasião surgiu, por motivo da necessidade, detestei.

Foi difícil, terrível, não sabia o que fazer comigo. Cansava-me dos outros e da minha própria companhia ainda mais depressa.

O que faria eu antes de ti?

Via televisão e desligava-a aborrecida. Ligava o rádio e não percebia as conversas dos locutores e trauteava as músicas sem as ouvir. Pegava num livro para o pôr de lado após ler a mesma página um número de vezes irrepetível para não compreender o enredo.

Cozinhava, trabalhava, comia, dormia.

Olhava para o relógio. Espreitava o calendário. Sobressaltava-me com a campainha. E todos se riam.

A minha independência estava contigo.

Não faz sentido? Talvez não, mas não preciso que faça.

Foi durante este tempo afastados que me apercebi que não era mais fraca por admitir que precisava de ti. Antes descobri que era muito mais forte por conseguir admiti-lo.

Não dependia de ti. A vida continuava, sim como todos faziam questão de mo relembrar. Contudo, eu conhecera uma vida melhor. Ao teu lado.

Por isso, continuava a fitar os ponteiros teimosamente lentos do relógio, o calendário que insistia em não virar as páginas e a espreitar pela porta até tu regressares. Com as minhas certezas, com o rumo de volta à melhor parte da minha vida.

 

De Inês Bonfim Madeira

 

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