Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Não prometas o que não podes

47.jpg

 

 

Lembro-me do dia em que me disseste estas palavras.

Tínhamos almoçado juntos numa quarta-feira que não tinha nada de diferente da terça que passara. 

Fomos ao restaurante da esquina, literalmente ao virar da rua, o do costume. Aquele que servia pratos do dia caseiros e reconfortantes que te faziam lembrar a comida da tua avó.

Estávamos a acabar o café, eu o leite de creme, tu o pudim de ovos, quando percebi que olhavas para mim. Imóvel e com um sorriso de lado.

Passei o guardanapo na boca e uma mão pelo cabelo.

Riste-te. Achavas sempre engraçada a minha insegurança. 

Eu estava bem, asseguraste-me. E, então, sem me deixares preparar, disseste-o. A palavra. A que mudou tudo. que nos levou a um patamar sem nos darmos conta que percorrêramos o trajeto. A que adorava ouvir e que me fazia arrepiar. A que deixava um sorriso pateta no meu rosto e me levava a acenar a desconhecidos surpreendidos.

Claro que eu não podia limitar-me a retribuir-ta e pedi-te que não me magoasses. Porque quantas pessoas são magoadas depois de pronunciadas estas palavras? Eu queria que contasse, que fizesse uma diferença real para nós, que não fosse qualquer coisa que dizíamos apenas para ocupar o lugar de um desculpa, adeus, amo-te.

Tu negaste prometê-lo.

Deveria ter sido motivo suficiente para eu fugir dali, de ti?

Para qualquer outra pessoa este teria sido uma campainha de alarme. Pelo menos um sinal de que as coisas poderiam não ser o que eu esperava, queria, precisava.

Mas isso seria para todas as outras pessoas. Uma pessoa mais sensata. Uma sobre a qual tu não terias influência nenhuma. Uma que fosse imune aos teus encantos. Uma que não aprendera a encantar-se com os teus defeitos. Uma que, naquela resposta, tivesse visto uma admissão de culpa futura e uma honestidade terrível.

Uma que não estivesse irremediavelmente apaixonada por ti. Uma que não fosse eu. Porque mais ninguém compreendia o que se passava entre nós.

 

De Inês Bonfim Madeira

 

18 comentários

Comentar post