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Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Detesto quando me mentes

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Fazias isso mais vezes do que poderia contar.

Olhavas-me nos olhos, com a mesma expressão brincalhona e franca que me tinha conquistado, mas dos teus lábios nada mais saíam do que mentiras.

Negavas quando me apercebia disso. Imagino que ficasses aliviado quando não me dava conta de que o fazias. Ou até chegasses ao ponto de te rires da minha credulidade, da minha ingenuidade.

E ao confrontar-te conseguias sempre fazer-me sentir mal. Como se a falha fosse minha. Como se eu te tivesse ofendido ou insultado. Tínhamos discussões horríveis e era sempre eu quem acabava por pedir desculpas. Mesmo que sentisse uma revolta na garganta que silenciava porque o que mais queria era que estivesses bem comigo. Que prometesses que me amavas, que só querias o que era melhor para mim e que me protegerias do mundo.

Esquecia-me destas discussões até à próxima vez. Sim, havia sempre uma próxima vez. Por muito que eu desejasse que não, que tu jurasses que era uma ilusão minha, por muito distraída que eu escolhesse estar, por muito cauteloso que tu fosses.

E termina do mesmo modo. Tu irritas-te, gritas e culpabilizas-me. Eu irrito-me, choro, peço desculpa e vendo que as tuas palavras nunca poderão ser sinceras, concentro-me no que quero ouvir, no que podia ser real, no que opto aceitar.

Porque sei que se quiser tu não me mentes. Basta que eu não descubra a verdade.

 

De Inês Bonfim Madeira

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