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Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Estar sem ti

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Eu podia estar sem ti.

Claro que podia.

Conseguia respirar, embora os pulmões se contraíssem mais com o esforço.

Podia beber, mas tudo me sabia a nada, menos do que água.

Podia comer, mas a minha boca não identificava o sabor dos alimentos.

Tomava banhos que embaciavam toda a casa e continuava com frio.

Ia trabalhar mas o meu pensamento estava em ti.

Falava com outras pessoas e substituía os seus rostos pelo teu.

Lia um livro e alterava as palavras pelas da nossa história.

Mas não podia apaixonar-me por outra pessoa.

Não podia amar ninguém como te amo a ti.

Não podia entregar o meu coração porque to tinha dado há muito.

Podia continuar sem o teu amor, mas não saía do mesmo sítio.

Estava presa, num limbo sem fim à vista, e onde o começo estava perdido.

Eu podia estar sem ti.

Claro que podia.

Mas não sei viver sem ti.

 

De Inês Bonfim Madeira

Se vale a pena, não é fácil

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Quando algo te for entregue sem luta, desconfia.

Quando alguém se oferecer sem questionar, não aceites.

Quando a vida se tornar uma simples linha reta, desvia-te do caminho.

Não. Nada é linear ou simples.

Nada do que tem realmente valor, do que desejamos verdadeiramente, de quem é importante para nós e marca a diferença nas nossas vidas nos chega sem luta.

É preciso batalhar, persistir, discutir e jamais baixar os braços.

Tudo o que exige o nosso esforço, as pessoas que nos desafiam e os sonhos que temos de desesperar para alcançar são os que importam mais.

Se não tem valor, não custa nada.

Mas se for o que queremos, aquele alguém que nos é querido, o objetivo que delineámos, então não vai ser fácil. Vai exigir o melhor de nós, as forças que nem sabíamos ter, a perseverança que julgávamos que só os outros tinham.

Não sou capaz?

Nada disso.

Sou capaz de tudo isso e muito mais.

Já o meu avô dizia: "O que nada custa, nada vale".

 

De Inês Bonfim Madeira

 

Não era amor, era loucura

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Tu tinhas esse efeito sobre mim.

Eu, habitualmente pacata, tranquila, calma, conseguia ficar agitada, perturbada, nervosa com a tua presença.

Não era preciso muito.

Um toque, um olhar, uma palavra e entrávamos naquela espiral que ascendia, descia e nos atirava tão depressa para os braços um do outro, como o mais afastados que aguentávamos antes de nos incendiarmos de novo naquela explosão que ia para além da razão.

A lógica desfazia-se em cinzas que ardiam por dias, horas, anos na lembrança inegável de um grande amor que tinha a força de um fogo eterno.

Tão depressa nos beijávamos como conseguíamos estar a gritar, a culpar o outro, num assomo de algo indefinível, até um de nós ceder num acesso de amor, desgosto e raiva que apagava tudo o resto.

Não podíamos continuar assim. Tínhamos de mudar. Mas nenhum de nós dava o primeiro passo. E mesmo que um o desse, o outro não tardaria a puxá-lo para trás.

Aquele limbo era a única existência que conhecíamos.

A única que queríamos conhecer.

Era amor? Não sei. Podia ser.

 

De Inês Bonfim Madeira

O que faz uma pessoa especial?

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O que faz alguém especial?

Não pode ser o sorriso que nos tira o fôlego.

O olhar que nos faz corar e ser trapalhões.

O toque que nos faz arrepiar e desejar que nunca mais nos larguem.

Não pode ser o abraço que se torna a nossa casa.

Não pode ser uma palavra sussurrada na proteção da noite e que nos faz imaginar todo um futuro.

Não podem ser as promessas que nos aquecem e fazem desejar, temer, chorar e rir por toda a vida que ganha a possibilidade que nunca julgámos ter.

Não pode.

Só uma dessas coisas nunca teriam toda a força para sabermos que essa pessoa é a nossa pessoa.

Todas juntas sim.

Todas juntas compõem o quadro mais emocionante que jamais viste.

O quadro que deves ser admirar e cuidar.

O quadro que tens de te esforçar por preservar.

O quadro onde queres ver a tua imagem pintada.

 

De Inês Bonfim Madeira

 

Apaixonámo-nos da maneira errada

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Apaixonámo-nos daquela maneira impossível, desmesurada, ridícula, infantil, que acreditamos só existir nos filmes e nos livros.

Usámos e gastámos todos os clichés.

Tornámo-nos nos lugares mais comuns, apenas com a originalidade de ser a primeira vez que algo assim nos acontecia. Atingia, derrubava com toda a força de um primeiro, inocente e verdadeiro amor. O mais belo, o mais intenso a que nada poderia diminuir aquela força que nos atirava para os braços um do outro num abraço que jamais seria apartado.

E mesmo assim, não foi o suficiente.

Poderia ter sido uma história de final feliz, que enternecesse todos a quem a contássemos. Éramos talhados da mesma pedra mas que ao fim de um tempo não resistiu a pequenas fendas que no meio de toda a beleza optámos por ignorar, demasiado embrenhados em admirar a obra de arte e não o que a ameaçava destruir.

O que correu mal?

Não sei.

Quando se tem tudo para dar certo e, apesar de tudo, não se consegue que assim seja é difícil dizer o que se fez de errado.

 

De Inês Bonfim Madeira

Quando estás com ele

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Perdes-te quando estás com ele.

Não de uma maneira boa, alegre, saudável que te faça mais bonita e que me faça sentir feliz por ti. Antes me causa preocupação porque não te reconheço. És outra pessoa, não melhor, não sei se pior, mas de certeza que diferente.

Deixas de ser a pessoa que eu conheço tão bem como a mim mesma.

Não queres saber dos outros e não arranjas tempo para os que ocupavam um lugar especial na tua vida. Nem é isso o pior. Nem o facto de me pores de parte e olhares através de mim como se eu nem existisse. 

Perdes-te e deixas de ter aquele brilho especial, aquele sorriso feliz, aquelas palavras doces que sempre encontravas para todos. Perdes tudo o que te é importante, não só os que desistem lentamente de ti, mas tudo o que fazia com que os outros te amassem. Todas aquelas partículas banais que te tornavam nessa força incrível.

O que me assusta é que nem tu te reconheces quando encarnas essa pessoa que tanto lhe agrada, ainda que te desagrade mais do que tudo.

 

De Inês Bonfim Madeira

Só mais um pouco

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Os dias de sol arrastavam-se sem exigências, sem promessas, sem obrigações.

Eras o beijo do sol na minha pele, o zumbido de uma abelha nas azáleas, o dedilhar das guitarras das cigarras. A maresia que se abatia sobre nós num pôr do sol. O sal na junção dos nossos lábios.

As noites eram longas, passadas sob as estrelas. 

Os planos que sussurrávamos para que ninguém os pudesse ouvir.

As juras que esperávamos que não tivessem de partir.

Os caminhos que se entrelaçavam antes de fugir.

A tua mão na minha, o teu abraço a segurar o meu mundo, o teu sorriso a iluminá-lo.

Não digas nada e vamos ficar assim mais um pouco.

 

De Inês Bonfim Madeira