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Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Alguma vez exististe?

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Por fim, percebi.

Aquela pessoa que eu amara, aquela que me sorrira e sussurrara as promessas que sempre sonhara, aquela que me dissera tudo o que queria ouvir, não existia.

Os sorrisos, os toques, os arrepios tornaram-se em apertos, dores e cerrar de olhos para fugir ao sonho que descambara em pesadelo.

Tu, que eras tão honesto, tão carinhoso, tão doce, um dia acordaste para te revelares outra pessoa. O homem que amava devia estar algures debaixo dos gritos, dos insultos, do choro. Era esse pensamento que me mantinha a teu lado. Sabia que ninguém poderia mudar tão rapidamente.

Não houve avisos, sinais. Talvez tenham existido, talvez tenha escolhido não os ver e nesse aspeto era tão culpada como tu.

Mas…

E era esse mas que me obrigava a erguer a cabeça, mesmo que a humilhação insistisse em a pesar para baixo. Era esse mas que me fazia acreditar que as feridas ainda pudessem ser curadas por beijos de amor. Era esse mas que me sustentava quando olhavas para mim e os teus olhos não brilhavam com a expressão mais terna pela qual me apaixonara.

E esperei. Esperei que tu um dia voltasses com todo aquele amor, aqueles abraços, aquela segurança. E por muito mau que te tornasses, por mais assustador, eu respirava e dizia a mim mesma que não deixavas de ser tu. Se eu te rasgasse aquele exterior de fúria, de incompreensão, tu estarias ali, aguardando a minha chegada.

Mas para te alcançar, as farpas cortavam-me a pele, as lágrimas toldavam-me a visão, o coração batia tão acelerado que tinha de parar e aí perdia a coragem.

E acabou por ser demais. Para mim e para ti. Demorei demasiado tempo e não fui capaz de te salvar, de nos salvar a ambos. E o homem, o rapaz, o menino que sempre amei foi consumido por esse monstro que destruiu o que tínhamos. Não sei dizer se esse monstro já esteva presente. Acho que acreditei que a força do que partilhávamos seria suficiente para o manter sempre adormecido.

 

De Inês Bonfim Madeira

Esperas o que não encontras

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Será justo quando insistimos e sabemos que não vale a pena?

Até onde devemos ir por aquela que consideramos a pessoa certa?

Não seremos mais felizes quando aceitamos as coisas como são, mesmo que se revelem o que não queremos?

Mas, ainda assim, exiges e esperas de mim o que não sou capaz de te dar.

Sinto o teu olhar sobre mim, a pressão de uma tomada de decisão, a ânsia que não admites mas que sinto emanar de ti como um perfume intoxicante.

E, com cada vez que não respondo do modo que precisas, vejo a desilusão que te causa e sofro tanto como tu.

 

De Inês Bonfim Madeira

Obrigada, amiga

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Hoje estas palavras são para ti.

A minha amiga. A minha confidente. A pessoa que esteve sempre ao meu lado, mesmo quando eu julguei que estava sozinha.

Aquela que fez tudo sem ser notada e sem esperar nada por isso.

A que me deu um ombro para chorar.

Um sorriso pelas minhas alegrias e sucessos.

A que sofreu comigo os meus desgostos.

A que me deu um ponto de apoio quando me sentia vacilar.

A que por muitas discussões, momentos difíceis e palavras dolorosas tem sempre um perdão e um coração disponível.

Obrigada, amiga querida, maravilhosa e linda.

Obrigada por seres quem és e me tornares um pouco melhor e me contagiares com a tua bondade.

Obrigada por não desistires de mim quando eu desistia.

Obrigada por me estenderes a mão quando eu achava que era mais fácil ficar no chão depois de cair.

Obrigada por me ensinares a curar as minhas feridas em vez de as curares por mim e por isso me tornares mais forte.

Obrigada por seres minha amiga.

Hoje e todos os dias agradeço por te ter na minha vida.

Adoro-te.

 

De Inês Bonfim Madeira

Sorte, corações e sorrisos

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Acontecia sem aviso.

Estávamos a comer, passeávamos na rua, regressávamos a casa depois de um jantar com amigos e olhava para ti. O meu coração fazia aquele estranho saltar de batimentos, mais cliché que existe, mas que nem por isso deixava de me sobressaltar. Estremecia, agitava-se e eu colocava uma mão sobre o peito como se o pudesse tranquilizar.

Ficava a observar-te, o rosto tão conhecido, igual e diferente depois destes anos, e sorria como nos primeiros dias. Completamente apaixonada. Perdida em cada gesto. Familiarizada com cada toque. Agradecida por cada momento.

Até pelos maus. Foram esses que permitiram que nos tornássemos o que somos hoje. Não trocaria nenhum deles, porque sempre te tive a meu lado, o que os tornou um pouco mais fáceis de superar.

Tu continuavas distraído, inconsciente do que eu pensava, até cruzares o olhar com o meu e sorrires. Aí eu sabia que o teu coração ainda estremecia e que tu o apaziguavas como eu. Aí eu já não tinha de te dizer nada que tu não estivesses a pensar também. Aí eu não precisava de te perguntar nada, nem prometer algo, pois conhecia as respostas e promessas que viajavam silenciosas entre nós.

Davas-me a mão e continuavas a falar e o meu coração voltava a um ritmo mais normal. Ou beijavas-me e dizias qualquer coisa que me fazia rir e quase que te dizia. Mas preferia sempre perder-me em ti do que perder-me em palavras. E como não era difícil, permitia que o momento passasse. Ainda que, mesmo passados tantos anos, por vezes não soubesse o que fazer com a felicidade de te ter. 

 

De Inês Bonfim Madeira