Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Assustas-me

img9.jpg

 

Assustas-me.


Mais do que eu poderia ter esperado.
Mais do que é sensato.
Mais do que quero admitir.
Não me tinha preparado para sentir desta maneira. Sentir como se cada nervo da minha pele fosse constantemente espicaçado. Para me sobressaltar quando aparecias. Para sorrir de imediato a um sorriso teu. Para reagir ao teu toque num impulso incontrolável.

Assustas-me.


E nem posso dizer que não gosto deste receio, desta insegurança da descoberta.
Estivera segura antes de apareceres. Sem conhecer o significado deste alvoroço que me acelera o coração e faz espreitar pela janela ao se aproximar a hora de chegares a casa.

Assustas-me.


Correspondo a cada palavra tua, a cada beijo teu, a cada pedido, a cada recusa.
És um desafio constante mas por muito medo que sinta, sei que não desistirei de ti. De nós.

Assustas-me.


E nunca quero que deixes de me assustar.

 

De Inês Bonfim Madeira

 

 

Detesto quando me mentes

img1.jpg

Fazias isso mais vezes do que poderia contar.

Olhavas-me nos olhos, com a mesma expressão brincalhona e franca que me tinha conquistado, mas dos teus lábios nada mais saíam do que mentiras.

Negavas quando me apercebia disso. Imagino que ficasses aliviado quando não me dava conta de que o fazias. Ou até chegasses ao ponto de te rires da minha credulidade, da minha ingenuidade.

E ao confrontar-te conseguias sempre fazer-me sentir mal. Como se a falha fosse minha. Como se eu te tivesse ofendido ou insultado. Tínhamos discussões horríveis e era sempre eu quem acabava por pedir desculpas. Mesmo que sentisse uma revolta na garganta que silenciava porque o que mais queria era que estivesses bem comigo. Que prometesses que me amavas, que só querias o que era melhor para mim e que me protegerias do mundo.

Esquecia-me destas discussões até à próxima vez. Sim, havia sempre uma próxima vez. Por muito que eu desejasse que não, que tu jurasses que era uma ilusão minha, por muito distraída que eu escolhesse estar, por muito cauteloso que tu fosses.

E termina do mesmo modo. Tu irritas-te, gritas e culpabilizas-me. Eu irrito-me, choro, peço desculpa e vendo que as tuas palavras nunca poderão ser sinceras, concentro-me no que quero ouvir, no que podia ser real, no que opto aceitar.

Porque sei que se quiser tu não me mentes. Basta que eu não descubra a verdade.

 

De Inês Bonfim Madeira

Vê-me uma última vez

1.jpg


Olha para mim.
Não, olha bem.
Vês o que te digo?


Vês a mesma pessoa por quem te apaixonaste?
A pessoa que se apaixonou por ti? Que lutou a teu lado e que te apoiou quando outros não o fizeram? Que se riu contigo nos fins de tarde que se convertiam em noites e dias que se misturavam sem se puderem separar. Que aceitou o que oferecias e garantiu que seria o suficiente.


Ainda vês essa pessoa?
Ou achas difícil encontrá-la depois de tudo o que se passou?
As marcas que a uma distância segura são impercetíveis.

As rugas que já não surgem apenas com um sorriso. Os olhos baços que perderam o brilho que um dia te encantou. O coração que já não acelera com um toque teu.


Se para mim é quase impossível reconhecer a pessoa que fui, talvez esteja a ser egoísta ao pedir-te que tu sejas capaz de o fazer.
Apesar disso, peço-te.


Consegues ver-me?
Não a pessoa que sou. A que amaste.

 

De Inês Bonfim Madeira

Menos do que mereces

img7.jpg

 

Os problemas começam quando aceitas menos do que mereces.

Quando te culpas pelo que não fizeste.

Quando choras as lágrimas por quem te prometeu fazer feliz.

Quando sofres a dor de quem te deveria proteger.

Quando aquele que te ama te provoca um ódio que mesmo assim não é forte o suficiente para o deixares de amar.

Mas isso não é amor. Isso não é viver. Essa não é a história que sonhaste e que apenas te resignas a ela porque te convenceram que não há nada melhor para ti. 

Essa não é a vida que idealizaste e que agora escondes de todos, por vergonha, hábito e desespero.

Esse não é o sorriso que devia ser natural nos teus lábios e que tens de fazer um esforço doloroso para ostentar aos outros.

Essa não é a força que te escapa por sobreviveres a uma situação que ultrapassa os teus piores pesadelos.

Essa não tem de ser a tua vida. Essa não tem de ser a tua história. Essa não tem de ser a tua dor.

Podia ajudar-te, mas não queres. 

Podia salvar-te, mas julgas que já não há nada que valha a pena guardar.

Podia curar-te, mas dizes que é impossível juntar todos os pedacinhos que foste perdendo ao longo das batalhas perdidas.

Podia lutar por ti, mas garantes que há muito que não tens ânimo para enfrentar os teus monstros.

Podia fazer um espelho que te mostrasse a pessoa inteligente, forte, encantadora, determinada, inspiradora e linda que eu vejo, mas tu viras sempre o rosto na direção do reflexo diminuto e pálido de que te convenceram.

Ainda assim, não desisto de ti.

Pois ainda acredito que um dia consigas ter um vislumbre desse espelho que estou a construir.

 

De Inês Bonfim Madeira