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Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Tu + Eu = Mundo Inteiro

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Estas frases já todas as ouvimos. As dissemos. As escrevemos. Mas não é por isso que deixam de ser verdade.
Quando estou sem ti reparo no vazio que deixas na minha vida. Antes de te conhecer ele não existia, mas agora, depois de ter a tua companhia, é a sensação mais solitária não a ter.
Nunca precisei de ninguém. Achava que aquelas pessoas que procuravam uma metade de si num total desconhecido eram ingénuas. Como é que podia acreditar que algures, num mundo tão vasto, existia alguém que me completaria, que encaixaria tão perfeitamente, que diria todas as palavras que eu deixava por dizer e faria tudo o que eu não me decidia a começar?
Parecia loucura. Admirava essas pessoas que se lançavam com coragem nos braços de outros sem garantias. Somente com o coração. E a fé de que aquela outra pessoa fosse o que precisavam.
Não tinha essa valentia e, para ser sincera, não achava que a devia arranjar. Para que queria eu os trabalhos, o investimento, o risco de me dar a uma pretensa metade em falta quando me sentia completa?
Isto, claro, pensava eu antes de te conhecer. Antes de preencheres espaços que nem eu sabia que estavam vazios. Antes de absorveres cada pensamento e dominares cada sentimento que experimentava. Antes de me provares que a minha vida podia ser recheada de formas que nunca me passaram pela cabeça.
Será possível completarmos o completo?
Pensava que não.
Mas não te conhecia.
É verdade. Sem ti sou apenas uma. Contigo? O mundo inteiro.

 

De Inês Bonfim Madeira

 

A possibilidade de um novo começo

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Hoje começa a primavera e com um novo começo, com o despertar da natureza adormecida nos meses de inverno, costumo sentir uma energia diferente e o cheiro das novas possibilidades com o aroma adocicado das flores que rebentam.
Contudo, este ano, encontramo-nos numa situação nunca vista, nunca sentida, nunca experienciada e comum a todos.
Somos obrigados a recorrer a forças que desconhecíamos ter, a reeducar a nossa maneira de viver, a rever as nossas prioridades, a encarar a vida de um modo diferente e a ultrapassar situações com que nunca tínhamos deparado.
Não tínhamos tempo para nada?
Agora não sabemos o que fazer com ele e torna-se o nosso pior inimigo.
Não conseguíamos passar tempo com a família?
Agora é dela que nos socorremos.
Não podíamos dormir até mais tarde e passar um dia na preguiça?
Agora lamentamos os dias em que não nos levantamos para ir trabalhar.
Não aguentávamos a rotina de todos os dias em que não descobríamos nada de novo?
Agora só desejamos poder voltar à banalidade repetitiva desses dias.
Será esta a oportunidade para mudarmos?
Mas mudarmos no verdadeiro sentido da palavra. O momento em que por constrangimento de algo que é impossível controlarmos somos forçados a perceber que havia muita coisa errada mas que estamos a tempo de emendar. Podemos sentir-nos mais gratos pelo que temos. Podemos agradecer pelas pequenas coisas no nosso dia a dia. Podemos dar força a quem mais precisa e tentar resgatar algumas para nós. Podemos desesperar em alguns momentos, desde que quando erguermos de novo a cabeça seja para estarmos mais determinados.
Podemos cumprir o que nos é pedido por um bem maior.
Podemos mostrar que é de facto nas piores alturas que a humanidade mostra as suas melhores qualidades.
Façam o que quiserem, brinquem, estudem, trabalhem, amem os vossos, digam aquelas palavras que pensam que não precisam de dizer, tenham aqueles gestos que vos envergonham e, acima de tudo, não percam a esperança de que vai ficar tudo bem.
Podemos ficar em casa, podemos tentar travar esta terrível doença que lançou o caos no mundo. Uma só doença tem este domínio. Então, todos juntos de certeza que teremos mais poder.

 

De Inês Bonfim Madeira

Sem ti nunca encontro o caminho

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Sempre me orgulhei da minha independência. Não era uma daquelas pessoas que era suficientemente orgulhosa, e inconsciente, para julgar que não precisava de ninguém. Longe disso. Mas quando tinha oportunidade para desfrutar do meu espaço, da minha liberdade, das minhas próprias decisões, abraçava-a sem hesitações.

Às vezes precisava de me afastar um pouco e estar sozinha. Sentia que isso me fazia serenar e assentar na realidade. O que deixou de acontecer desde que te conheci. Para já, a realidade que eu pensava conhecer minimamente baralhou-se num novelo impossível de desenredar. 

Aquele abalo que as vidas sofrem aqui e ali? Tu devastaste a minha no mais doce e sincero dos sentidos. E o melhor foi que, mesmo passado todo este tempo, surpreendias-me com réplicas que impediam que a emoção inicial fosse esquecida.

Com tudo o que me oferecias tinha de ser doida para desejar estar sem ti. Bem sei tudo o que se diz sobre a necessidade de espaço nas relações mas nós nunca nos pressionámos e por isso nunca tivemos de nos afastar.

E quando a ocasião surgiu, por motivo da necessidade, detestei.

Foi difícil, terrível, não sabia o que fazer comigo. Cansava-me dos outros e da minha própria companhia ainda mais depressa.

O que faria eu antes de ti?

Via televisão e desligava-a aborrecida. Ligava o rádio e não percebia as conversas dos locutores e trauteava as músicas sem as ouvir. Pegava num livro para o pôr de lado após ler a mesma página um número de vezes irrepetível para não compreender o enredo.

Cozinhava, trabalhava, comia, dormia.

Olhava para o relógio. Espreitava o calendário. Sobressaltava-me com a campainha. E todos se riam.

A minha independência estava contigo.

Não faz sentido? Talvez não, mas não preciso que faça.

Foi durante este tempo afastados que me apercebi que não era mais fraca por admitir que precisava de ti. Antes descobri que era muito mais forte por conseguir admiti-lo.

Não dependia de ti. A vida continuava, sim como todos faziam questão de mo relembrar. Contudo, eu conhecera uma vida melhor. Ao teu lado.

Por isso, continuava a fitar os ponteiros teimosamente lentos do relógio, o calendário que insistia em não virar as páginas e a espreitar pela porta até tu regressares. Com as minhas certezas, com o rumo de volta à melhor parte da minha vida.

 

De Inês Bonfim Madeira

 

Ama-te a ti mesma

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Se não te amas nunca vais saber distinguir o amor verdadeiro de uma ilusão.

Mais do que tudo tens de ter força, ser a tua própria coragem e aprenderes a apreciar-te.

Não podes esperar que sejam sempre os outros a elogiar-te e a fazer-te sentir bem. Se não te sentires em paz contigo mesma, se não gostares do que dizes, se não te fizer sorrir o teu próprio reflexo, se não te surpreenderes a ti mesma, como pensas que os outros vão encontrar algo de especial em ti?

O amor tem de ser um reflexo do que sentes e ninguém pode amar alguém que não vê as suas qualidades, os seus defeitos, mas que ainda assim ergue a cabeça e se aceita por aquilo que é.

Não há maior beleza do que o amor próprio e, quando o descobrires, também o amor dos outros irá chegar.

 

De Inês Bonfim Madeira