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Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

Inês Bonfim Madeira

Apaixonada por livros, música e frases que mudam vidas. © Inês Bonfim Madeira Textos e Imagens

O Natal já lá vai e chega 2020

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O Natal já passou e parece que ainda nos encontramos naquela espécie de ressaca que em muitos de nós vai para além de uma noite.

A família reuniu-se e, como nós não temos muitas oportunidades de estar juntos, não temos tempo de nos aborrecermos por isso. Não somos aquele género de família que cumpre a etiqueta e nesta altura se encontra com aquelas pessoas de quem não gostamos, e dificilmente suportamos, só porque parece bem.

Esta é uma época especial, demasiado importante para se desperdiçar com quem não signfica nada para nós. Há muito que decidimos que só estamos com quem queremos e com quem quer estar connosco.

Família que é amiga, e amigos que são família.

Quem disse que temos de seguir as tradições só porque o resto do mundo nos diz para o fazermos?

Se seguir as tradições significa ser infeliz, passo, muito obrigada.

Assim, juntámo-nos e, do nosso jeito desordenado, descontraído e barulhento, fizemos o nosso Natal. Muito melhor e mais feliz do que quando tinha de aguentar aquelas caras contrariadas de quase desconhecidos que passava um ano sem ver e que se fosse para mencionarem o meu nome ao longo dos ditos meses nada de bom dali sairia.

Então, sim. Com uma casa onde não se pensaria que caberia toda aquela gente, uma mesa que ninguém achava que se esvaziaria e corações pesados de tantas emoções, foi uma festa maravilhosa.

O espaço arranja-se sempre para aqueles que são bem-vindos, a quem queremos bem e que nos fazem um bem que nem eles sabem.

A comida, que sacrifíco!, lá foi toda, como não poderia deixar de ser. A dieta lá terá de ser adiada por mais uns tempos, afinal ainda temos o Ano Novo!

E os corações tentam abastecer-se com estas memórias até estarmos de novo juntos, o que parece sempre demasiado tempo e depois pouco tempo quando nos encontramos. A única parte que dispensaria, as despedidas, sempre repletas de promessas de próximos reencontros.

Porque é bem verdade que tudo o que é bom acaba depressa. 

Mas não fico triste por ter acabado. Fico feliz e agradecida por ter acontecido.

Agora, depois de uma limpeza a uma casa que parece enorme e vazia depois de todos partirem, prepara-se uma nova festa, um novo ano, novos projetos. 

E começa tudo outra vez.

 

De Inês Bonfim Madeira

Esqueço-me da tua flor

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A flor que me deste ainda tem cor.

Ainda vive apesar do meu desleixo.

Nem sempre lhe dedico a atenção que devia.

O carinho que merece.

Oferece-me um pouco de alegria nos dias cinzentos.

Mesmo assim, por vezes esqueço-me dela.

Não a trato como devia.

Não a estimo como poderia.

Esqueço-me e nem tenho uma boa desculpa para isso.

Seria melhor se a tivesse?

Nem por isso. Não deixava de a negligenciar.

E, mesmo que passe dias sem olhar para ela, sem lhe tocar, sem a cuidar, ela permanece. 

Forte, bela, orgulhosa.

Só porque foste tu quem ma ofereceu.

 

De Inês Bonfim Madeira

Chuva no meu coração

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Olho pela janela e fico a ver a chuva cair.

Os céus que não conhecem tonalidades que se afastem do cinzento ao branco magoam os olhos de quem os contempla, na sua tristeza e vazio.

O ar é morno, contrariando o mês do ano. Um cheiro intenso desprende-se da terra ensopada de onde se soltam nuvens de vapor quente guardadas dos meses de verão passados.

Estendo a mão e deixo a água molhar-me os dedos.

Estico depois o rosto e a as gotas misturam-se com as lágrimas que não consigo conter e transbordam com a força da tempestade que rebenta em redor, abafando a minha própria explosão.

Pergunto-me se também tu estarás a espreitar por uma janela a ver a chuva cair. Se estás confinado ao habitáculo do teu carro embaciado sentindo o ar pegajoso e agustiando-te com o atraso que não conseguirás desculpar. Se te encontras em casa, pegando numa chávena do primeiro café da manhã e agradecendo por não teres saído no meio do temporal. Mas a questão mais importante, é se pensarás em mim, se a chuva te recorda os passeios por parques onde o chão escorregava debaixo dos nossos pés. Lembras-te das manhãs em que nos desculpávamos com mentiras tão más que escondíamos o rosto nas almofadas, apenas para ficarmos enroscados sem fazer nada? A chuva escorria pelos vidros, as janelas abanavam ao ponto de temermos que partissem. As árvores agitavam as ramadas como bailarinas enraivecidas.

As gotas começam a diminuir de intensidade, o meu choro serena-se ao seu ritmo, até o meu rosto secar por completo.

Volto para dentro e fecho a janela.

Viro costas à chuva, que parou lá fora, mas não cá dentro, porque tu continuas mesmo em frente, impedindo-me de continuar o meu caminho.

 

De Inês Bonfim Madeira

Fizeste-me especial

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Banal, vulgar, comum.

Passava despercebida no meio de multidões e de salas vazias.

Falava e era ignorada, a minha voz sem força suficiente para ser projetada.

O rosto como tantos outros, o andar levemente curvado, a postura recatada.

No instante em que me olhaste senti-me diferente.

Especial.

Melhor.

Única.

A minha voz ganhou uma projeção de tenor, numa postura poderosa que se alimentava da força que me davas.

Ao entrar numa sala atraía as atenções. As cabeças rodavam, os olhos seguiam o meu andar, as conversas baixavam de volume e mudavam de direção.

Ninguém ficava indiferente.

A transformação era óbvia, até para mim, quanto mais para o mundo.

Naquele instante em que os nossos olhos se cruzaram eu transformei-me numa outra pessoa. Diferente sim, mas a pessoa que sempre quis ser.

Obrigada.

Obrigada por me ajudares a ser a pessoa que sempre quis ser.

Obrigada por seres tão especial que também eu me tornei numa pessoa especial.

 

De Inês Bonfim Madeira

 

Fim de semana em Portugal

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Aproveitámos os feriados em Espanha e decidimos passar este fim de semana em Portugal.

Ficámos em casa de uma amiga que não via desde o início do ano e não pude deixar de me espantar que graças aos telemóveis e redes sociais, quando nos encontrámos no aeroporto foi como se nos tivéssemos visto ontem.

Sabíamos o que tinha sucedido na semana anterior e conhecíamos os problemas e alegrias com que vivíamos.

Claro que quando cheguei a casa dela, percebi que me esquecera de algo muito importante em casa.

O computador!

Sim, como as pressas dão sempre em vagar, como se costuma dizer, o meu querido computador permanecia no meu escritório em minha casa, num outro país.

Por isso, obrigada, minha querida amiga, por me emprestares o teu e permitires que não passe um fim de semana longe das maravilhas do nosso mundo digital.

Mas, como é claro, não estou apenas a usufruir do seu velhinho computador com vários problemas de arranque, como andamos a explorar o meu lindo país de que já tinha saudades.

Fomos a Lisboa e como está linda e agitada a bela cidade das sete colinas.

Que saudades do ar frio das ruas junto ao Tejo, de um pastel de nata com um café numa esplanada aquecida, de um passeio pelas ruas antigas, de uma viagem de elétrico.

Depois voltámos a casa e, tirando mais um pouquinho de computador para espreitar os blogs, ficámos junto à lareira a brincar com os nossos míudos e a contar histórias que repetimos sempre que nos encontramos.

Por agora ela anda atarefada com o almoço. Algo tipicamente português para matar saudades. Já cheira divinalmente e como a mais pequena exige a minha atenção está na hora de me despedir.

Em breve regresso para o nosso país irmão, mas nunca esqueço o meu querido país e a minha querida amiga. Porque uma verdadeira amizade é assim, não tem fronteiras!

 

De Inês Bonfim Madeira

 

Espero por ti para o Natal

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O dezembro já chegou e por todo o lado sente-se aquela energia nervosa de quem prepara o Natal.

O último mês do ano leva-nos a reflexões, sobre a vida, sobre a família, sobre o trabalho e sobre o amor.

Há tanto a fazer, e tão pouco tempo para o fazer.

As pessoas atropelam-se nas compras. Desesperam com a ideia de receber a família e terem de conviver com os entes queridos, e menos queridos, durante mais tempo do que seria ideal. Irritam-se e discutem apenas para dar vazas a um nervoso que nem diz respeito a essa discussão sem fundamento. As crianças fazem longas listas ao Pai Natal e refazem-nas sempre que ouvem falar de algo novo. 

Eu penso e espero.

Apenas espero.

Por ti.

Na esperança que chegues a tempo do Natal.

 

De Inês Bonfim Madeira

 

Não há inverno contigo

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Quando estás comigo, não tenho frio.

O gelo que faz derrapar os carros nas estradas não me tira o equilíbrio.

A chuva que alaga os campos não me molha.

O nevoeiro que tolda a visão aos outros não me perturba.

O frio que ultrapassa todas as camadas de roupa não atinge a minha pele.

Estou sempre quente a teu lado.

Sou uma flor que explode no auge da primavera.

Sou um pôr do Sol que se funde no mar no final de um dia de praia.

Sou uma brisa numa noite tépida de verão.

Contigo estou segura, resguardada, protegida num casulo onde não há espaço para estes dias tristes e frios. Nada de intempéries. Nada de pés a chapinhar em poças de chuva. Nada de correr com as mãos sobre a cabeça quando o granizo cai com toda a força. Nada de arrepios com ventos que nos varrem o espírito.

Contigo não há inverno.

O teu amor é a única estação em que vivo.

 

De Inês Bonfim Madeira